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Um viajante precisa tomar uma série de cuidados com a saúde • 24/11/2015

Dicas para evitar problemas de saúde em lugares desconhecidos

Dicas para evitar problemas de saúde em lugares desconhecidos

Vai viajar? Então, antes de fazer as malas, consulte um médico e faça um checape. Achou estranha a recomendação? Pois saiba que esse tipo de comportamento é recorrente em outros países e você e sua família só têm a ganhar prevenindo-se dessa forma. Já pensou, por exemplo, estar em pleno Caminho de Santiago de Compostela e sofrer uma lombalgia ou perceber que não tem resistência física para realizar a tão sonhada peregrinação? A orientação de médicos às pessoas que viajam faz parte da chamada saúde do viajante, espécie de especialização da medicina, que já existe há cerca de 20 anos. “No Brasil desde 2000 temos um grupo de profissionais que está incluindo o tema em congressos e na saúde pública”, informa Sylvia Lemos Hinrichsen, infectologista e colunista da Algomais Saúde, que desde 2003 vem orientando no Recife pacientes que vão viajar. O especialista em saúde do viajante elabora um laudo com orientações individualizadas a partir do roteiro a ser feito pelo paciente. “Tudo vai depender do tipo de viagem que será realizada: se o paciente vai mochilar, se vai ficar em camping ou em hotel 5 estrelas, se vai para um local com grande altitude, ou se vai mergulhar. Para cada um desses aspectos, há recomendações específicas”, explica Sylvia. Também é levado em conta o perfil do viajante: sua idade, se pratica ou não atividade física, se tem limitações, se possui alguma doença, etc.

Fazer uma bateria de exames é outra recomendação essencial. Muitas vezes, as pessoas nem têm conhecimento de serem portadoras de alguma doença, que pode se manifestar durante a viagem. “Hoje em dia, por exemplo, indivíduos jovens sofrem enfarte, porque não sabem que são cardiopatas ou que estavam com taxa de colesterol alto”, alerta a médica. Fundamental também é conhecer a realidade e os costumes do país de destino. Por isso, o especialista em medicina do viajante estuda as condições de saúde do local a ser visitado para embasar seu esquema de prevenção. Isto é, pesquisa a “geografia das doenças” do país.

Aos pacientes que vão para a Índia, por exemplo, Sylvia alerta para os cuidados nas visitas a algumas mesquitas, onde existem macacos circulando pelos templos. Há vários relatos de turistas que foram mordidos por esses animais, que são transmissores de diversas doenças. Colocar a caderneta de vacinação em dia é outra atitude imprescindível para quem vai viajar principalmente para o exterior. Saiba mais sobre o assunto na página 34. Antes de colocar o pé na estrada, veja ao lado orientações preciosas para manter-se saudável nas viagens.

Dicas para ter uma viagem tranquila

Altitude

Pernambucanos que planejam passear em locais como os Alpes ou Machu Picchu devem passar uns dois dias num local de altitude intermediária antes de chegar ao destino. “Essa aclimação é importante para o organismo se acostumar ao ar com pouca concentração de oxigênio”, recomenda Rodrigo Pedrosa, cardiologista do Hospital Memorial São José. A medida ajudar a prevenir os sintomas provocados pela mudança abrupta de altitude, como tontura, dor de cabeça, enjoo e apatia. Em casos de sintomas mais graves pode ocorrer até acúmulo de líquido no pulmão e infarte. Por isso, essas viagens são contraindicadas para quem tem doença cardíaca ou pulmonar grave. Se você vai para as montanhas, evite atividades muito extenuantes nos primeiros dias que chegar ao destino.
Beba muita água, evite bebida alcoólica (o efeito dela é potencializado em altitudes elevadas e você pode ficar ainda mais cansado) e alimentos pesados e gordurosos, porque “nas alturas” sua digestão ficará mais lenta.

Remédios

Se você faz uso de medicamentos contínuos, durante a viagem de avião é melhor levá-los na bagagem de mão. Mas para transportá-los você vai precisar pedir a seu médico uma receita, onde conste o seu nome. Solicite ainda uma versão em inglês, caso vá visitar outro país. Compre uma quantidade suficiente para a sua estadia fora de casa. Colírio e solução fisiológica para lentes de contato não precisam de receita. Insulina e líquidos especiais ou gel para passageiros diabéticos devem ter prescrição médica e não exceder 148 ml.

Crianças

Antes de viajar de avião com seu bebê, informe-se sobre a idade mínima do passageiro aceita pela companhia aérea. A maioria delas autoriza o transporte de criança com pelo menos uma semana de vida. Mas para médicos como Patrícia Gomes de Matos Bezerra, pediatra do Imip e tutora da Faculdade Pernambucana de Saúde, o ideal é esperar a criança completar 3 meses. “Nesta etapa ela tomou boa parte das vacinas e ficará menos vulnerável às doenças”, explica a pediatra. A recomendação vale também para viagens em outros meios de transporte. Se o bebê se alimenta com mamadeira, leve o leite em pó divido em porções para cada refeição e prepare a bebida a bordo. Não carregue a mamadeira pronta, principalmente em voos internacionais, porque é proibido transportar recipientes com mais de 100 ml de líquido na bagagem de mão. Ofereça água para as crianças. É necessário hidratá-las porque a cabine pressurizada tem temperatura mais baixa e pouca umidade. Nos voos longos, prefira os horários noturnos porque a criança adormece e não fica entediada. A dor de ouvido ou a sensação de ouvido tampado é um sintoma frequente, provocado pela brusca mudança de altitude. É decorrente da diferença entre a pressão sentida pelo ouvido médio e a existente no ambiente exterior. Nas crianças em fase de amamentação, o problema pode ser solucionado colocando o bebê no peito durante o pouso e a decolagem. Ao deglutir, se restabelece o equilíbrio da pressão. Crianças mais crescidinhas devem beber líquido ou mascar chiclete sem açúcar. Em caso de enjoo, algumas mães costumar solicitar ao médico a prescrição de remédio. “O pediatra precisa avaliar os riscos e benefícios da medicação, uma vez que ela provoca sono e a criança pode não ficar bem”, esclarece Patrícia. Se o pequeno ficar enjoado durante uma viagem de automóvel, evite que ele viaje de estômago muito cheio e coloque-o no assento do meio. “Isso evita que ele olhe para os lados e, consequentemente, evita o enjoo”, aconselha a professora da FPS. E uma vez que a criança esteja no carro não esqueça: use sempre o cinto de segurança ou a cadeirinha.

Apneia

Uma boa notícia para os que sofrem de ronco e apneia: as pessoas que utilizam o aparelho CPAP podem levá-lo na bagagem de mão nas viagens aéreas, porque as aeronaves dispõem de tomadas. “É recomendado que se leve o CPAP para evitar sintomas como sonolência e dor de cabeça”, aconselha Rodrigo Pedrosa, cardiologista do Hospital Memorial São José e especialista em medicina do sono.

Seguro viagem

Se você vai passar as férias em outro país, não esqueça de fazer um seguro viagem correspondente ao período da estadia. Algumas agências de turismo auxiliam o turista a adquirir o seguro. Você também pode pesquisar as ofertas de seguradoras e bancos. Outra dica é que o Brasil mantém acordos internacionais com alguns países que permitem o atendimento de brasileiros nas redes públicas de saúde. Nesse caso você precisa adquirir o Certificado de Direito a Assistência Médica. Saiba mais no site: http://sna.saude.gov.br/cdam. Mesmo nesses casos não desconsidere a contratação de um seguro internacional de saúde particular.


Fonte: Revista AlgoMais Saúde 

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